domingo, 3 de janeiro de 2010

2009-2010

Os dias anteriores foram de intenso trabalho. À noite, ruas vazias de gente. E o que eu esperava ser um reveillon divertido, virou frustração, indignação. Gritava em silêncio perguntando como a segunda maior cidade do estado podia receber daquela forma medíocre um novo ano? Até agora não encontrei a resposta.

Num dos cartões postais de Campina Grande, o açude velho, a paisagem linda se confrontava com vários rostos de desânimo. Nem percebi quando a meia-noite chegou. Só ouvi algumas palavras de felicidade e tentei admirar doze minutos interrompidos de fogos. Fechei os olhos por um segundo apenas e me vi à beira-mar. Era onde queria ter encerrado 2009: diante de um pedaço importante da natureza que me aproxima de Deus. Queria ter agradecido lá a excelente fase, mas aquele segundo de mentira não era o bastante.
Pela cidade, pouco movimento e bares fechados. No caminho de medo, ainda ouço resmungos das pessoas sobre o mesmo assunto. "Jamais moraria numa cidade dessas", foi uma frase forte até para mim que estava chateado. Era 2010 em Campina Grande.
A festa que deveria ter coroado um ano de vitórias não foi das melhores. Mas quem disse que ela só poderia ter acontecido na noite do dia 31?
Feliz Ano Novo!

sábado, 19 de setembro de 2009

Uma vida em duas horas

Phelipe tem 28 anos e lembra exatamente o dia em que nasceu: 10 de dezembro de 2003. Talvez essa data seja mais comemorada até do que aquela registrada nos documentos oficiais. Phelipe (re) nasceu depois de sucesivos sustos causados pelo consumo da cocaína durante uma adolescência desregrada; sem limites.
Natural de Campina Grande, abandonou a escola quando estava na quinta série de um colégio particular conceituado na cidade. Andava com pessoas que chama hoje de "más companhias". É adepto de esportes radicais: já foi skatista durante alguns anos e atualmente faz trilhas de moto. "Eu quero ir agora numa trilha de noite", confessa o próximo passo na busca da adrenalina. Ele também ama música e já foi inclusive cantor numa banda de pop rock de bairro. Ouve muito rock inglês e é autodidata no violão. Comparou aquele 10 de dezembro com o dia da morte da cantora Cássia Eller. Só para lembrar, a roqueira nacional morreu em 2001 por consequências de uma overdose de algum tipo de droga. E foi quase isso o que aconteceu com ele.
Mas, entre internações, soros, choques e a proximidade da morte, Phelipe acordou. Disse não ter precisado de ajuda específica para se livrar do vício. "Meu avô sempre fala uma coisa: 'O homem chega onde ele quiser ir e para de ir também quando quiser'". Não lembro se foram essas as palavras utilizadas por ele enquanto me contava a sua história de vida, mas a essência é essa mesma: tudo depende da vontade.
Naquele dia, caiu em si e decidiu parar com as drogas. Conseguiu. Está há quase seis anos "limpo". Hoje, mora sozinho em Campina Grande e trabalha com guinchos na empresa familiar criada pelo avô. A família dele mora em João Pessoa, onde vai visitá-la uma vez perdida no ano.
Apesar do pouco estudo nos bancos de uma escola, Phelipe é muito bem informado sobre atualidades, expressa-se muito bem e conhece como poucos a bíblia. Não é dos religiosos fanáticos não. Foi um dia testemunha de Jeová e pensa em voltar. Fiquei calado enquanto ele falava sobre Deus. Tinha propriedade para falar do assunto mais do que eu. Foi em Deus que ele encontrou a força que precisava.
Hoje, Phelipe não pensa em voltar a estudar. Quer assumir a empresa do avô para desenvolvê-la. Namora uma menina mais jovem que ele quase dez anos e pretende casar com ela no ano que vem.
Conheci Phelipe na fila para comprar passagens da rodoviária de Campina Grande. Conversamos por quase duas horas durante a viagem. Escutei mais do que falei. Afinal, ouvir a história de vida dele era mais interessante do que contar a minha...

segunda-feira, 24 de agosto de 2009

Este, sim, é pra você!




Pouco mais de um ano e já acho que conheço a tua voz, a tua escrita, os teus objetivos. Como pode?! Disse certa vez - e não sei se lembras - que te conheço há mais tempo. Só não sei de onde, nem como, nem quando. É só o que falta saber... Preciso mesmo?! Não. Faz-me bem o que já conheço de ti. Das duas, uma: ou me contento com pouco ou o que você tem a oferecer é infinitamente grande.
Amiga do telefone, fui apresentado primeiramente a tua voz e só tinha ela para traçar um perfil físico que personificasse aquele som. Discutíamos, pra variar, trabalho!
Amiga do orkut, e da voz passei a conhecer também a imagem. Alguns poucos recados trocados sem o tema trabalho rondar tanto.
Do msn, dos altos papos madrugadas a dentro, conversando sobre tudo ao som de música boa. Apreendi um pouco da sua personalidade e do bom gosto musical que possui. Influenciadora; para o bem, claro.
Numa reunião, vi em carne e osso e algumas sardinhas (de sardas, tá!) o que conhecia antes apenas virtualmente. Que bom! E num abraço forte confirmei que de fato eras minha amiga.
Fazendo as contas hoje, as vezes que nos vimos pessoalmente não chegaram a vinte. Acho. Dois pontos percentuais para mais ou para menos (rsrsrs).
No dia do seu aniversário, grato pelo presente que é a sua amizade. Pra você, 365 dias desse novo ano de muitas felicidades, no plural mesmo para que elas venham de todas as partes que puderem vir.
Beijo, me liga!
Ps.: Tem algo que pague esse sorriso?! Tem não...

domingo, 12 de julho de 2009

Dias




Têm dias que nascem para ser inesquecíveis.
O do primeiro aniversário, namoro, beijo,
o da surra do pai ou da mãe, das palavras sábias de um velho,
o do primeiro emprego, o dia em que passou no vestibular,
o daquela briga com o melhor amigo, o de um banho de chuva,
o dia de uma festa bem aproveitada, cercado de amigos.
Um dos seus, Mary, foi o de ontem.
Um dos meus foi o dia em que te conheci.

sábado, 27 de junho de 2009

Festa em luto

Imagem: internet

Ainda cheguei a ver quando criança a forma mais tradicional de luto pela morte de um ente querido. Normalmente, as senhoras viúvas usavam durante sete dias vestimentas pretas, na intenção de exteriorizar o sentimento que as dominavam por dentro: a dor da falta. Pela novela das oito, soube que o luto na Índia é representado pelo branco. Em outros países, como no Egito, a tonalidade é a que se assemelha à de uma folha seca; o fim da vida.

Através de cores, atitudes, pensamentos, palavras, o luto pode ser manifestado por diversas formas. No mundo virtual do Orkut, por exemplo, a imagem de uma fita preta ou simplesmente a palavra "luto" expressa bem esse estado de espírito. E no mundo oficial, a bandeira a meio mastro indica que alguém de história relevante morreu.
O telejornalismo tratou de criar a sua própria forma de manifestar luto há algum tempo. Já virou tradição o silêncio que substitui a música tema ao fim do jornal, enquanto os nomes da equipe sobem na tela. Esse silêncio é também uma forma de homenagem pelo que representou a pessoa. Ele não foi utilizado quando da morte do jornalista Tim Lopes, há sete anos, substituído por aplausos dos apresentadores e equipe do Jornal Nacional, à qual Tim fazia parte. E ele também não foi muito usado agora, depois da notícia da morte do Rei do Pop, Michael Jackson. A atual cobertura, por sinal, é singular. Nunca vi tanta música e dança na cobertura de uma morte!Certamente, este é o luto mais festivo já produzido pela mídia que vi. E não tinha como ser diferente... Concorda?