quinta-feira, 14 de maio de 2009

"Palavras ao vento"

As pessoas subestimam o peso das palavras. Outro dia mesmo ouvi de uma mulher dentro do ônibus a seguinte frase: "...fazer o quê, se mãe e pai a gente não escolhe?!" Ela estava revoltada com algumas atitudes da mãe dela, que parecia ser divorciada do pai. O Contexto todo que a levou a pronunciar tal frase era impossível de se apreender em tão pouco tempo e naquelas circunstâncias. Normalmente ouço música enquanto volto para casa. Naquele dia foi diferente. Não conectei os fones por preguiça, ou melhor, cansaço mental (considero este pior do que o físico...). E normalmente não presto atenção no que os outros conversam. As avalanches dos meus pensamentos não me deixam desviar o foco! Estava com a cabeça recostada no vidro da janela. A força daquela frase foi tanta que despertou minha audição. Será que aquela filha tinha a real noção do significado da frase que pronunciara? Ou aquilo foi apenas mais um "algo impensado"? Consientemente ou não, muitas vezes nós, seres humanos, jogamos as palavras sem medir o peso que elas possuem. Tem coisas que são mais fáceis de se esquecer: a dor de um tapa no rosto, por exemplo. Palavras não. E quando são negativas, mais ainda!
Experimente contar as vezes que você pronuncia um "não" durante um dia inteiro. Nunca fiz isto e nem preciso. Sei que são muitas, mesmo sem contá-las. Dizemos "não" a pensamentos, planos, chances, a outras pessoas.... e a nós mesmos. Não temos noção do quanto isso nos faz mal. E, se temos, desprezamos. Cada "não" pronunciado pode ser um passo para trás na vida. Isso não é regra, pois às vezes até um "não" se torna necessário e pode representar inclusive um passo adiante. Mas esse não "positivo" fica muito escondido e não são todas as pessoas que conseguem encontrá-lo. Dos poucos que conseguem, poucos sabem a forma correta de usá-lo ao seu favor.
"Amor" e todas as formas que envovem o verbo amar são outros exemplos de forças desprezadas. Considero a maioria dos "eu te amo" falsa. E não é por negativismo não! Esta é uma das expressões mais fortes que conheço e que não deveriam ser gastas com tanta frequencia. Só a pronuncie se de fato sentir! Saberá quando isso acontecer.
É inevitável não jogar palavras ao vento. Eu sei muito bem disso. Mas uma atitude simples e inteligente pode nos livrar de uma vida inteira de retratações: o silêncio. Quando tiver dúvidas acerca do que quer falar, simplesmente cale-se!
É isso, adeus!

terça-feira, 21 de abril de 2009

A profetisa

Ela me disse que já virou costume: todas às manhãs, sai do departamento onde trabalha e se dirige à sala em frente com um pequeno baú nas mãos. Em seguida, passa diante das cinco mesas e pede para que cada pessoa retire do objeto um pequeno pedaço de papel entre tantos e de várias cores. No interior do baú há muitos provérbios bíblicos. E todo esse processo possui um ritual: antes de se retirar um deles, deve-se fazer mentalmente uma pergunta. Espera-se que o provérbio vá ajudar de alguma forma você a encontrar a resposta ou entender a causa de determinada coisa acontecer na sua vida. Normalmente são problemas... Mal do ser humano. Bem, ela me pediu para retirar um também e o fiz. Só que antes que ela explicasse esse ritual. Resultado: não lembro do que havia escrito, se aquilo me dizia algo, sequer do nome daquela mulher que teve tão boa ideia, etc. E olhem que era uma frase curta! Da frase, conselho, pensamento, remédio ou como queira chamar, só lembro de uma palavra: CRUZ. Será que quer me dizer algo? Independente disso, vou cumprir o ritual completo da próxima vez. Tenho muitas perguntas e as respostas estão cada vez mais escassas...

segunda-feira, 9 de março de 2009

Tempo



Ele anda apressado para chegar na hora ao emprego. Ela sai correndo do trabalho para aproveitar o intervalo de almoço e passar em casa para ver se tudo está em ordem. A criança pede para o tempo passar logo e ficar adulta em busca da tão falada liberdade. Já os velhos rezam para que ele demore um pouco mais para aproveitar a vida que dizem estar no final. Para alguns, o tempo corre nos momentos de felicidade e anda a passos de tartaruga naqueles mais difíceis. Já ouvi os ditos a seguir: “Tudo o que é bom dura pouco” e “Tudo o que é bom dura o tempo necessário para se tornar inesquecível”. Qual deles tem razão, se existe razão nisso? Temos a impressão de que até os dias têm tempos distintos às vezes. Qual a sua relação com o tempo?

Digo que o tempo não é somente o melhor remédio para a cura dos males. Também pode ser o pior dos venenos para uma vida. Pois o use com moderação. Desse uso, dependem os resultados bons ou nem tão bons assim... Ele traz a certeza de que tudo passa, mas nesse tudo está também o que é bom. Ele dá novas oportunidades e pode ainda retirá-las se não forem bem aproveitadas. O tempo dá várias possibilidades, mas obriga você a fazer escolhas. Afinal, não se pode ter tudo. A maioria, sim. Ele deixa pelo caminho, dores, tristezas e cicatriza as feridas, mas coloca a sua frente novas dores, tristezas e feridas, que podem ou não ficar abertas. E novos desafios que podem te destruir. Se bem aproveitado, até o ócio serve para fazer refletir. E se não souber utilizar ao seu favor esse tempo desocupado, você pode ficar parado no tempo. Ele faz amadurecer ideias, palavras, pensamentos, atitudes, pessoas. Mas também pode fazer toda uma mentalidade retroceder a ponto de gerar monstros.

O tempo é abstrato e concreto ao mesmo tempo. A sua concretude está no rosto, na passada do dia para a noite, no calendário, nos ponteiros de um relógio, na programação da tevê, no dia do seu aniversário. E a abstração está justamente nas lembranças, no passado. Talvez até no seguinte enigma: “E o tempo, quanto tempo tem?”. O tempo remedia todos os males, mas gera um dos piores venenos: o do arrependimento. E o tempo não volta...
*Agora é a sua vez. Participe do blog comentando sobre o que significa o tempo para você?

terça-feira, 24 de fevereiro de 2009

Coisas de carnaval



Na calmaria das ruas durante o feriado de carnaval, parecia eu ser o único a ter pressa. A impressão que tive era a de que a cidade, pessoas, carros, tudo estava em slow motion enquanto eu quase corria. Comparei Campina Grande, cidade de porte médio no interior da Paraíba com pouco mais de 370 mil habitantes, a uma típica cidadezinha do interior. E o cenário não me deixava pensar diferente: ruas vazias do barulho de veículos, poucas pessoas, um casal de idosos sentados na porta de uma loja a conversar... Acredita que até o cantar dos pássaros deu para ouvir?! E tudo isso no centro da cidade! O vento, a claridade, o ar que se passava muito bem por puro...
Coisas de carnaval.

quinta-feira, 19 de fevereiro de 2009

Verbo

"Qual será o verbo da vez?", questionava ela na frase do msn.
Mas já sabia qual era. Ou melhor, quais eram.
E que nada havia mudado que justificasse tal pergunta.
Tentar, sofrer, desistir, lutar, amar, eram alguns deles.
E a oposição reflete quão confusa está a sua cabeça.
Ela errou jurando ter sido incentivada por um erro dele.
Erraram os dois!
E quem perdeu no fim das contas foi o sentimento que tinham.
Agora ela tenta voltar e não consegue.
É o preço que se paga por um erro.
Perde-se, chora, sofre, dói.
Mas nem tudo acabou. Sempre há outra chance.
Nem que eles mesmos a construam.
E só depende dos dois.
Ainda há um fio que os prende um ao outro.
Embora esteja fragilíssimo.
O verbo de agora é continuar...
... A tentar, a sofrer, a desistir, a lutar, a amar.
E o tempo se encarrega de definir o tempo desses verbos.